O silêncio oportuno

Os avanços tecnológicos potencializaram a velocidade das informações e também a quantidade, levando-nos a certa fadiga na compreensão, análise, compartilhamento. Em outros momentos da história humana parecia haver mais disponibilidade de tempo para as pessoas recepcionarem um conteúdo bem como entendê-lo. Parecia haver mais preparo das autoridades constituídas antes de falarem em público. E esse público parecia conhecer mais sobre história e identidade social.

O cenário contemporâneo é bem diferente e talvez o ritmo acelerado seja incentivador da elaboração apressada de mensagens pouco estruturadas e, consequentemente, arranjadoras de vários níveis equivocados de entendimento. O resultado é a proliferação de analistas com posicionamentos absolutos, às vezes bem radicais, construindo no imaginário das pessoas a possibilidade de seguidores encantados pelo discurso. E quando o assunto é política, passamos a impressão de sermos os maiores entendedores e nem conhecemos bem o quarteirão onde moramos. Aparecem os grupos que quase não dialogam de forma respeitosa e progressista no sentido do bem comum, da coletividade. A aproximação, quando acontece, parece ser mera conveniência.

Será que a individualidade foi transformada no individualismo? O meu querer meramente pessoal é o que realmente importa? Lidar com essa pandemia que enluta e desestabiliza famílias em todo o mundo requer do humano a capacidade e se dar as mãos, pensar na proteção de si e do outro. Se não somos atingidos de forma direta, indiretamente sofremos as consequências. A cautela no falar e a prudência no agir são urgentes em nossos dias. É um desafio acompanharmos opiniões desestabilizadoras de lideranças e essas mesmas opiniões serem amplificadas, principalmente pelas redes sociais, sem o mínimo de bom senso. Busquemos no silêncio oportuno a capacidade de promover entendimento e diálogo a favor do Brasil!

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