Ação do MPGO nas atividades financeiras da AFIPE

Na sexta-feira, 21 de agosto de 2020, o Ministério Público do Estado de Goiás deflagrou operação focada nas atividades e movimentações financeiras da Associação Filhos do Pai Eterno (AFIPE). Presidida pelo Padre Robson de Oliveira Pereira, a entidade se destaca pela evangelização na Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), e também pela TV Pai Eterno. O arcebispo de Goiânia, Dom Washington Cruz, e o superior dos Missionários Redentoristas de Goiás, Padre André Ricardo de Melo, assinaram carta conjunta aos bispos, nota à imprensa e carta aos devotos do Divino Pai Eterno.

Para os bispos, finaliza a carta: “A Arquidiocese está atenta à toda a movimentação, atendendo a imprensa local e nacional, e envidando todos os esforços para que se esclareçam, o mais rapidamente possível, todas as questões envolvendo a AFIPE, para que se preserve a credibilidade da Igreja local, a boa-fé dos milhões de devotos e doadores da Associação, e especialmente o trabalho de evangelização, seja na Basílica do Pai Eterno, seja nas associações mantidas pela AFIPE, seja nas rádios e na TV Pai Eterno. Estamos atentos a cada movimento da Operação Vendilhões e, a cada detalhe ou encaminhamento novo, disso daremos ciência imediata à Nunciatura”.

À imprensa, o arcebispo e o superior provincial informam: “Não houve desvios. Não houve laranjas. Algumas emissoras de rádio tiveram que ser registradas momentaneamente em nome de colaboradores e representantes da AFIPE, em função da legislação específica, mas que jamais deixaram de pertencer e integrar o patrimônio da associação. Nas negociações finais, esses ativos foram então transferidos para os antigos proprietários do canal de televisão, que, a partir daí, fizeram seus investimentos e encaminhamentos normais, fora do âmbito da AFIPE e sem interferência da mesma, no livre movimento do mercado”.

Em trecho da carta aos devotos, está escrito: “Da mesma forma, a Arquidiocese de Goiânia e a Província dos Missionários Redentoristas de Goiás, estão abertas para apurar, com transparência, quaisquer denúncias em desfavor de seus membros. Ao mesmo tempo, comunicamos que, para contribuir com a investigação, o Padre Robson de Oliveira Pereira pediu o afastamento das suas funções no Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e na AFIPE, até que se esclareçam todos os fatos. Comunicamos, ainda, que as funções do Padre Robson de Oliveira serão assumidas interinamente pelo Padre André Ricardo de Melo, provincial dos Missionários Redentoristas de Goiás”.

Em vídeo publicado no sábado, 22 de agosto de 2020, Padre Robson de Oliveira destaca: “Meu coração está sereno e confiante de que tudo será esclarecido o mais breve possível. Sabemos que a vida não é feita somente de alegrias, mas também de provações. O meu caminho nesta missão evangelizadora nunca foi fácil. Desde o início, como você bem sabe, já testemunhei várias vezes a você isso, sempre carreguei muitas cruzes, mas confiante da Misericórdia de Jesus que tanto sofreu por nós eu sempre confiei nesta obra e no poder do Divino Pai Eterno. Por isso eu nunca desisti”.

Durante entrevista coletiva na tarde de sexta-feira, 21 de agosto de 2020, o promotor de Justiça, Sebastião Marcos Martins, também coordenador da ação, fez uma síntese acerca da operação que analisa as movimentações financeiras da AFIPE e respondeu perguntas de jornalistas.

Na tarde deste domingo, 23 de agosto de 2020, o arcebispo de Goiânia, Dom Washington Cruz, com o objetivo de tutelar os fiéis e garantir a imparcialidade das investigações, suspendeu temporariamente por precaução o uso de ordens do padre Robson de Oliveira Pereira.

Padre Robson de Oliveira Pereira está proibido de exercer o ministério sacerdotal, participar, realizar e protagonizar programas de televisão, rádio ou internet, conceder entrevista jornalística ou de natureza semelhante; o religioso é encorajado a se valer de um diretor espiritual. As restrições constam em decreto assinado pelo superior provincial, Padre André Ricardo de Melo, neste domingo, 23 de agosto de 2020, e permanecerão em vigor até 23 de Janeiro de 2021, data em que será feita uma reavaliação das circunstâncias que as ensejaram.

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