Onda forte de desemprego

É verdade que estamos todos em alto mar diante de ondas bem fortes. É verdade também que não estamos no mesmo navio, e sim agrupados em várias embarcações. Isso resulta em percepções diferentes dessa onda pandêmica pela qual passamos. Uns sofrem mais e outros sofrem menos. Quando nos deparamos com dados alarmantes de desemprego, e isso não é só Brasil, percebemos a fragilidade, ou talvez, a ausência de nossos governantes. A impressão que se tem é de que eles pouco se interessam pela administração em curso, pois ela já foi conquistada na eleição anterior, e enxergam o contexto atual como cenário de um jogo, cuidando para serem vitoriosos na próxima temporada, considerando o protagonismo do eleitor apenas como ação protocolar da democracia. Enquanto isso, padecemos feito peixes em criadouros à espera da ração matinal. E essa situação da indiferença de nossos políticos com a população não começou ontem; é bem antiga. Eles seguem com suas rusgas e banquetes no andar de cima, e nós aguardamos as migalhas aqui embaixo.

Talvez você tenha um pedaço de pão e uma xícara de café agora nessa manhã. Saiba que muitos outros nem sequer tiveram um lugar para se proteger das baixas temperaturas da noite que passou, talvez até esteja na porta de um banco com a esperança de que hoje o atendente dê a tão esperada notícia de que o auxílio emergencial de 600 Reais foi liberado. Aí será um fôlego para conseguir levar ainda para o almoço a oportunidade de uma refeição para a família. É muito triste ver esse cenário no qual uma minoria tem lucrado com o sofrimento de uma grande multidão. Quais medidas eficientes são tomadas, de fato, para preservação e geração de emprego? Prefeitos jogam a responsabilidade da rede para os governadores que jogam a para o presidente que devolve para os governadores e no final, a rede continua vazia. Auxílio financeiro às empresas para suportarem um pouco mais esse cenário e segurarem os empregos está disponível lá nos bancos. E chegar lá talvez seja bem mais complicado do que conseguir os 600 Reais.

Um deputado federal aqui de Minas Gerais disse recentemente que espera mais comprometimento de bancos públicos e cooperativas de crédito. “Chegou a hora de eles cumprirem seu papel social. Não é uma questão de caridade, é uma questão de responsabilidade. Em um momento de crise, essas instituições têm que ser protagonistas, tem que puxar a fila e dar exemplo de como ajudar a economia a ficar de pé”. Talvez seja um caminho para reverter essa onda de desemprego que tem jogado muitos para fora da embarcação. Que o próximo mês seja melhor para todos nós. É o que eu desejo para você.

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