Parlamentares e o combate ao Covid-19

Quando a gente pensa que a política brasileira está em descrédito, surgem pistas a indicar que ainda paira certo bom senso em alguns parlamentares. E isso pode contribuir para a ascensão de uma política mais focada no desenvolvimento integral do cidadão.

A proposta, no Congresso Nacional, de direcionar recursos dos fundos eleitoral e partidário para ajudar no combate ao Covid-19 parece ser a mais inteligente no momento. Afinal, com a economia ainda em nível pouco satisfatório, é preciso que haja uma somatória de esforços de toda a nação para vencermos juntos essa calamidade instalada em nosso país com esse vírus tão devastador.

Resta saber se a adesão dos nobres deputados e senadores será a mais coerente possível, guardadas as devidas proporções das politicagens partidárias. É importante ter a seguinte clareza: fundo partidário é um valor destinado aos partidos para o custeo de despesas com a legenda. É constituído por uma mistura de verba pública e doações privadas. Será que os partidos conseguirão manter suas estruturas de trabalho abrindo mão de mais de 1 bilhão?

Já o fundo eleitoral é um valor retirado da verba pública, do Tesouro Nacional, e repassado aos partidos em anos eleitorais para bancar as campanhas de seus candidatos. São 2 bilhões reservados para as campanhas das eleições municipais de 2020 elegerem prefeitos e vereadores. Se direcionar essa verba bilionária ao enfrentamento da pandemia, como os partidos conseguirão prospectar o número suficiente de eleitores para que suas bases locais se mantenham ou cheguem ao poder?

Talvez, ao investir o dinheiro dos fundos partidário e eleitoral contra a disseminação do coronavírus, as eleições municipais deste ano, se houver, poderão ser menos influenciadas pelo dinheiro, proporcionando campanhas mais alicerçadas na realidade e menos construídas em laboratório de marketing político.

De fato, nós cidadãos brasileiros esperamos uma postura decente e urgente dos nossos políticos para conseguirmos passar essa fase de forma a garantir as condições necessárias de sobrevivência das famílias e da economia nacional. Que os valores, a ética e a moral, amplamente presente nos discursos parlamentares, se concretizem nas decisões assertivas para salvar o Brasil do colapso.

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