Retrocesso para os Direitos Humanos no Brasil

Ao lançar na quinta-feira, dia 27, o relatório “Direitos Humanos nas Américas: retrospectiva 2019”, a Anistia Internacional aponta uma crescente violação do direito da pessoa em nosso país. Nota-se que o retrato do Brasil ainda está longe de ficar bonito, e essa feiura não é de hoje.

Eu tive a curiosidade de acessar o site da organização para buscar, em relatórios passados, uma radiografia brasileira. Pude observar que desde o ano 2010 é frequente o apontamento de ameaça aos povos indígenas, aos trabalhadores sem-terra, às pequenas comunidades. Policiais excedendo no uso da força, sistema de detenção em condições precárias, agentes da lei envolvidos com crime organizado são apresentados em informes de vários anos.

Os documentos anteriores ao divulgado ontem também apontam dificuldade em obter proteção do Estado por parte dos defensores dos direitos humanos em perigo, milhares de pessoas são despejadas à força para dar lugar à instalação de grandes obras de infraestrutura. E não é de hoje que as principais vítimas de homicídio são jovens negros. Também constam repressão a protestos com uso excessivo das forças de segurança, detenções arbitrárias e a violência contra mulheres e crianças.

Em 2019, segundo o relatório apresentado pela Anistia Internacional, a crise ambiental na Amazônia, a violência policial no Rio de Janeiro e a falta de proteção aos povos indígenas sinalizam um retrocesso na garantia aos direitos humanos. Pena que o estabelecimento do diálogo é desconsiderado em muitas esferas políticas e organizacionais. É triste ver um país tão lindo, com enorme potencial de recursos naturais, ser conduzido dessa forma.

Nós, cidadãos brasileiros, precisamos avançar mais na capacidade do respeito e do compromisso coletivo com o desenvolvimento do país. Não é possível assistir a tantas atrocidades e nada fazer. Precisamos, de forma ordeira e pacífica, expressar nosso descontentamento com tudo isso, mas não acirrando os ânimos pelas redes sociais, e sim despertando o senso do diálogo e com atitudes que expressam mudança de comportamento. Talvez assim, possamos reescrever novos capítulos da nossa história com cenários bonitos e ficarmos bem na foto, não por mera aparência, mas por profunda transformação a partir de nós.

A título de informação: a Anistia Internacional foi fundada em 1961, está presente em mais de 150 países, conta com mais de 7 milhões de apoiadores e realiza ações de promoção e defesa dos direitos humanos. Apresenta-se como independente de qualquer governo, ideologia política, interesse econômico ou religião. Suas atividades são financiadas principalmente por membros e apoiadores. Para a Anistia Internacional, quando o direito de uma pessoa é violado, o de todas as outras está em risco.

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