Ismael Carvalho

Blog de Notícias

O ministro e a alta do Dólar

Talvez estejamos diante de uma epidemia de incontinência verbal que parece contaminar personalidades de um governo ainda em construção, por parte de quem está no poder e por parte de toda a nação. O termo incontinência verbal é título do editorial da Folha desta sexta-feira e faz referência à forma como o ministro Paulo Guedes expõe suas ideias. Às vezes preconceituosas, pejorativas, discriminatórias. Muitos economistas ficam assustados com tal comportamento do colega. E o desconforto causado no cenário em questão, com essas falas, parece ser bem maior do que as próprias ideias que ele formula para dar um jeito nas finanças do país. Percebe que essa maneira pouco cortês de falar em público viralizou? Se não bastasse aquelas coletivas improvisadas com ataques diversos, agora, vem o ministro com suas colocações totalmente inoportunas. Personalidades, que pela liturgia do cargo, deveriam exercer um forte papel de articular um projeto nacional para unir todos os setores do país adotam posturas totalmente descabidas.

E quando o ministro afirma que a taxa de câmbio mais alta é boa para todo mundo, vários setores não concordam. O de automóveis, por exemplo. Tem montadora que importa 40% das peças. O dólar mais caro vai gerar aumento no preço do carro que ocasionará queda nas vendas, demissão de vendedores. Já os medicamentos, 95% da matéria prima vem de fora. O setor começa a rever as contratações para não repassar o custo ao consumidor. E o pão francês? O trigo é importado. Se o dólar subir, o preço do pão sobe, simples assim. Você sabia que boa parte dos combustíveis também é comprada de outros países. Os importadores já estimam uma defasagem no preço do diesel e da gasolina. O jeito será corrigir o preço. Aí virá o aumento das passagens do transporte público e você que já não consegue encher o tanque do seu carro, terá de utilizá-lo menos ou sei lá qual mágica fará. Talvez o ministro precise aprender a economizar nas palavras.