Rombo na Previdência

Aprovada no ano passado, a reforma do sistema de aposentadoria no Brasil ainda não foi capaz de causar algum efeito nas contas de previdência. Digo isso porque em 2019, o rombo aumentou 10 por cento em relação ao déficit gerado em 2018. Já são 318 bilhões de reais negativos, ou seja, dívida da Previdência com a União que precisou arcar com a diferença. Consegue imaginar esse valor? Sabe por que isso acontece? O governo gasta mais com aposentadorias e benefícios do que arrecada com os devidos recolhimentos no setor. Pelo menos é o que dizem os relatórios. Com base nos relatórios, esse problema, ao que consta, é antigo. O jeito encontrado pelo atual governo, para estancar essa situação descontrolada, ou pelo menos tentar, foi promover uma reforma na previdência, a chamada de Nova Previdência. Mudanças a serem praticamente arcadas por mim e por você, trabalhadores. E já está valendo, viu. Para 2020, especialistas profetizam um impacto quase nulo da reforma nas contas de previdência, e olha que encerramos hoje o primeiro mês do ano. Ainda tem 335 dias pela frente e uma previsão de déficit na previdência, mais uma vez. Quando o governo diminuir a fila de pedido de aposentadoria que já está na casa dos 2 milhões, aí sim veremos uma previdência mais endividada. Será? Acredita-se que os impactos da reforma na previdência serão graduais. A tendência é que lá pelo ano 2025, a situação comece a mudar. O cenário apresentado é de uma fatia crescente de idosos, combinado à queda de nascimentos e o aumento da expectativa de vida. Acrescente-se aí o desemprego, a informalidade. Ainda existem mais pessoas contribuindo com a Previdência, do que recebendo, mas isso tende a mudar. Essa ambientação nos leva a concluir que só a reforma na previdência será capaz de pausar esse desequilíbrio. A luz no fim do túnel aparece bem fraquinha. Talvez seja pelo fato de ainda termos poucos políticos com competência para lidar com a coisa pública. Quem sabe um dia, a gente faça escolhas mais racionais e menos passionais. Quem sabe um dia, a gente se interesse de fato pela política. É ano eleitoral, fique atento. Quase tudo é uma questão política, até mesmo a previdência. Estejamos cientes de uma coisa: precisaremos trabalhar mais tempo, poupar mais dinheiro e conformar-nos em receber benefícios menores do que os pagos atualmente. Bom fim de semana pra você!

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